sábado, 16 de abril de 2011

No Crepúsculo de Suas Mentiras


Entre as palmas das mãos, e deitado em seu colo, ali adormecia e aos poucos escorria toda sua última e frágil esperança...
As faces enegrecidas de dor
Os olhos cegos à claridão do sol
As mãos frias e tétricas que me abraçavam
O desespero em sua retina, retendo suas finais imagens.
Eu tive medo
Adormeci e assustado me encontrei em meio à loucura
Famélicos desejos que se alimentavam da escuridão esquecida em naves que faleciam no crepúsculo de suas mentiras
O luto era inevitável
O corpo já insensível
Sem sentir as duras penas contemplando os segredos de sua existência
Serenas e gentis
Suas derradeiras derrotas hoje esquecidas
Sempre junto a mim meu inimigo mais ardil
Violentos os espíritos da revolta que incrustam espinhos em seu corpo já cansado
Ópio lascivo
Cóleras e pecado
E quando o eco de seus pulmões se calar então saberei
Suas vontades entregues as estrelas que choram debruçadas no vazio que se afasta pouco a pouco, um instante por vez...
Intolerável oceano de negro puro compelido a se afastar
Tais mãos lânguidas e frementes que se esfregavam em mim, hoje tão frias e pálidas.
Olhos puros
Olhos hoje tão negros e fatais debruçados em preguiça e treva
Dobram-se as liras fúnebres
O que me importa tudo isso???
Todas as culpas ainda existem em tua alma assim como os pecados e todo teu ódio
Amo-te mesmo assim
Desejo-te em devoção e silêncio mais que a fé que existe na solidão dos astros
No frio escuro do túmulo vazio, da vaga idéia que resta...