A Um Anjo Com Os Olhos Tristes
Minhas mãos estão amarradas, meus pulsos sangram e meus olhos doem, não enxergo nada mais além...
Não quero ir mais longe do que um dia já pensei em ir
Espero há muito tempo por você
As flores do inverno já se levantaram e as cores agora também vem nos brindar
Uma tempestade forte se aproxima
Que caiam sobre mim todas as culpas, anátemas.
Um anjo de conhecimento veio ate mim avisar-me sobre o mal
Não acreditei em suas palavras
O chão se abriu sob meus pés, vi o anjo de luz cair.
Em suas faces havia lágrimas
Em sua voz havia dor em seus pulsos um vermelho rubro a formar poças...
Quando acordei achei que tudo era sonho
Dê-me seu corpo quente, pois o inverno enfim chegou com seu por de sol cinza e triste e frio.
Quando andei por desertos vazios e escaldantes não esta só, o anjo estava lá
É forte a lembrança que tenho de você
A um anjo escrevi esta canção e ele não a entendeu
E se você conseguisse entender o que ela diz o que faria?
Acreditaria mais em sua fé?
Nunca desisti, mesmo quando a dor era insuportável.
Agora me deixe dormir, por favor...
Com ou sem você preciso dormir
Minhas mãos estão amarradas e meus olhos doem
Há espinhos nas feridas ainda abertas que não se curam
Há ainda o mal em minhas entranhas
Existe um silencio tão alto que assusta e no céu o pássaro me vigia e abre suas asas e quer me devorar, um pouco por vez, pedaço a pedaço.
Tão negros são seus olhos, suas asas sua alma, seu ser.
Só, tão só vaguei o dia inteiro e só ele me acompanhava de longe, muito de longe, mas sempre soube que ele estava lá.
Sofrerei mais quando tudo isso acabar eu sei
Com ou sem você sei que sofrerei
Hoje à noite quando as costas estiverem nuas e o dorso estiver esguio é verdade eu sei enxugarei sua lagrimas e as minhas também e tudo enfim terá fim...
Na laje apodrecerá minha carne, mas minha alma o anjo levará com ele, aonde eu ainda não sei, mas sei que é isso que ele veio fazer...
Celina cali que despencou de joelhos sobre minha cova com os cotovelos em riste e as palmas das mãos as faces e pôs-se a chorar...
Não acreditava no que via...
Na flor que brotou no lodo
Na dor de um anjo que amou um homem
No frio que congelou o coração de um deus
Nas lagrimas de um demônio que chorou pela derrota de seu inimigo...
Preso aos seus segredos, seus sentimentos mais sombrios.
Inertes no abismo de sua alma triste
Você nunca sabe do que precisa achar encontrar
Mesmo que eu conseguisse ouvir sua voz, seus lábios puros não me dizem nada que eu queira escutar...
Palavras dúbias, gestos falsos.
Sorrisos ingênuo-maliciosos...
Inocência maculada pela estupidez da revolta, mentira proferida com amor, a dor sendo o alimento que compõem o corpo, o corpo que vaga cambaleante entre as noites frias, frias e sombrias, sombrias e confusas, alcoólicas noites sem norte, sem horizonte...