domingo, 26 de setembro de 2010

A Dor que Enfraquece a Alma

Pálida a lua cai sobre o mar, calma; triste.
Envolta no manto de escuridão
Cai no abismo e perde-se na solidão
Ouça o lamento de minha voz, o choro das estrelas.
A tristeza em meus olhos
O brilho em meu coração
Faça parte de meus sonhos
Venha saciar-me, ajude-me, por favor!!!
Quando vi lágrimas em teus olhos desejei tocar teus lábios de dor
Sentir tua pureza imaculada
Deixe o frio tocar tuas faces
Alimentar tuas angustias
Pálida lua quero beijá-la, beijo de dor e de perdão.
Saciar tua vontade.
Caia sobre mim, se entregue a ilusão.
Lua de agruras, envolta a escuridão, caia sobre mim, caia no mar de infindas sepulturas.
Ouça o lamento de minha voz
O choro das estrelas
A dor que enfraquece a alma



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Teus Olhos...

Em outros tempos teria medo ao olhar no espelho de tua alma
Tão preciosos e celestes que resplandecem todos os teus mais puros desejos; os mais infernais vícios e os mais infernais atos.
Noturna, vaga e estranha, reclusa e frágil carne que pálida se movimenta amontoada sobre ossos tão mal postos que perambulam e vagam e se contorcem em meus sonhos, quem és tu?
Bizarra criatura que me trás vertigens
Ópio do meu sono aguarda ansioso tua chegada tácita e pontual.
Ecoa em minha nave mais bela e mais gótica e sombria e repleta de guardiões do inferno mais profundo de minha alma doente
Teu sopro, teu já fraco e frio sopro que me vem aos ouvidos.
O que tens a dizer?
O que teus espelhos querem revelar?
Em outros tempos teria medo de olhar no espelho de tua alma
Hoje tão pouco só tenho vertigens que me fazem acreditar que isso tudo é real
Abstrata criatura eternal que perfume é este que exala?
Que dor é esta que sinto?
É como se mil sóis ardessem dentro de mim...
Quem és tu que povoa meus sonhos? Que me trás tristezas e alegrias
Que me consola e que faz parte de minha solidão
...atravesso no silêncio escuro a vida, preso a trágicos e fúteis deveres, e chego ao saber de altos saberes, tornando-me mais simples e mais puro...
O último sopro de vida do meu último dia vivido
Ninguém sente minha falta
Tão ouço sabem quem sou
... magoada, oculto e aterrador e secreto, ninguém viu ou ouviu o meu sentimento, o grito inquieto...
Seguirei teus passos
Viajarei em teus braços mesmo sem saber ainda quem és ó criatura que me traz vertigens.


O Silêncio da Noite              

Na frieza de tua alma sepultei meus desejos
No silencio de tua voz ouvi os teus lamentos
Piedade!!
A tristeza em teus olhos reflete tua angustia que implora por perdão
Sombras tocam teus lábios frios repletos de intensa dor
Devora-te aos poucos o teu lindo corpo nu
Teu silencio maldito dilacera minha fé
Na lama tua face se mostra e inunda meus olhos negros de lágrimas
Lagrimas azeda, lagrimas de medo...
Com dor e só irei ficar
Teu coração fenece nesta terra pura e fértil de sonhos, sonhos tristes de um corpo febril, angustiado e sem fé...
Minha tristeza é seu pesar
Minha angustia é sua dor
Deixe enfim a escuridão a possuir a escuridão
Pois, o silencio da noite é o pouco que nos resta.

terça-feira, 21 de setembro de 2010



Solitude Aeternus

 no vale das sombras


Sob as sendas da noite escura
Segue em devaneios perdido sobre esta terra fecunda
Corpo etereal de celeste plano
Tão somente só em tal desengano
Habita imperiosa carne que não deseja morrer
Solitário moribundo que tem fome
Plena a noite que a luz consome
Sente o frio no escuro do tempo
Congelado no abismo de seus pecados
Onde sob seus olhar nebuloso, se erguem diferentes formas...

cólera

 Caia sobre mim noite nefasta e sem luz, derrampois a terra úmida hei de voltar, e sobre mim sua maldita expiação, pois a morte  aqui vim buscar, basta de sofrimentos e langores, quero apenas dormir, esquecer as lamúrias e viver os últimos encantos, sentir nas  formosas faces um último riso de alegria, ainda que impuro seja o                   sentimento...
Aqui neste leito sinistro de pedras disformes me vem ao olhar todo o mal que nunca pude um dia imaginar...
Brindo a loucura que vem aos olhos em tão formosa escultura, pálida de mármore erigida nas naves mais sombrias deste inferno, berço eterno de lamúrias, ruínas infernais, cóleras que não me deixam mais sentir, os tenebrosos prantos, vis praga mortais que levaram meu sorriso, minha tão bela vida de encantos, mas hei me aqui, só e louco tateando no sinistro inferno, no seio de tantas mágoas, lagrimas e sombras...
Rudes ignoram a tanta insanidade e dor, pois de sofrimento basta-me o meu.

              réquiem



Não se desespere, pois de tua dor aqui todos padecem.
Aqui a noite ou ao dia todos se entristecem
Teu sofrer com muitos outros partilhas
Em tão vis, débeis e tortuosas trilhas.
Teu imenso suplicio aqui é vário
Em tão tenebroso calvário
Aqui para todos não há luz
E vergam-se ao peso de tremenda cruz
Não estas só em infando mundo
Mesmo aqui em abismo profundo
Há sim o grande perigo, mas há abrigo
Para teu tenebroso castigo
Ainda que tão nefasto seja teu mal
Há esperanças afinal
Pois, em lágrimas e dor, pendido descansa
Incrustado em mágica lança
Teu cruento amor, pois há esperança
Mesmo que um dia
Seja um século de agonia
E que os vermes tuas carnes roam
Ouvirás na terás os sinos que soam
Ao raiar de um novo dia
E que dobram em tão fúnebre melodia
Sinistra ciranda que recito
Tua mal aqui esta escrito
Oh pobre alma de amores
De lânguidos fulgores
Que esta na escuridão
Implorando desesperado perdão
Dolente drama que as brumas na noite afagam
E que tão pesadas cruzes que carrega esmagam
Ainda que derradeiro seja seu fim
Esperando um verdadeiro sim
Em tétrica e dorida expiação
Só ouves forte negação
A tuas queixas e dramas
O sangue que derramas
Aqui lamúrias são, e de nada valem ao mal de toda a criação...

          hum oceano profundo

Pálida lua de agruras ouça minhas súplicas e me diga o que posso fazer?

Inerte em fundas sepulturas
De um oceano negro de agruras
Esta meu forte amor
Que sofre com tanta dor

Quero recostar-me em seus braços e sonhar
Desejar seus beijos e lhe amar
Meu anjo puro infestado com tanto mal

Padece em tão sombrio vendaval

Agoniza em medonhos desertos
Caminhos tortuosos incertos
Onde torrentes fortes bravejam
Meu amor seus beijos desejam

Pois, quando a face da lua o mar tocar
E a névoa do espaço dissipar
Seguirei tua sombra dos céus
Desvelarei tuas faces dos véus
E, em hum oceano profundo irei te encontrar
E teus lábios de beijos velar...

             requietórium

Torres frias e imundas elevam-se aos céus
Revelando suas majestosas potestades
Abaixo, sombrias tumbas de malditos réus
Em cruentas; ditosas e infinitas insanidades
Desvelam tristezas e sofrimentos eternos
Selam a pureza em cruéis infernos


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Sombra da Lua

A febre em teus olhos profundos gelados
A sombra da lua que te tornam os lábios velados
Teu silencio sofrido imenso
Teu sangue lânguido e denso
Que cala atormenta e cria
Sombra de medo na noite triste e fria
Alma que esta morta e não sente
O coração que pulsa forte e quente
Eu desci do céu e toquei tua face pálida e nua
Beijo de amor, de perdão a sombra fria da lua.

I

E cai a noite novamente e a lua nos brinda uma vez mais e no horizonte plúmbeo ela consome a luz, em desespero ouço os ventos me chamarem me sinto só e confortado com isso, me entrego a loucura, as folhas úmidas de orvalho rasgam minha pele, ouço os gritos de minha alma perdida dentro de mim mesmo, sinto o calor de teu abraço aquecer meu corpo nu entregue a solidão até o infinito. Meu sangue rubro tinge o dorso esguio teu, seu rosto desnudo dos véus revela sua ira, pálida e tétrica repleta de sofrimento, fértil em langores tens as feridas ainda abertas, ainda sangram, ainda que firam com ódio e temor fenecem por si só em seu peito, onde guardas dentro de ti um amor rancoroso que te faz feridas neste corpo ainda leproso, e a morte luz dos moribundos brindam minha alma nua sem fé, fria, frágil; hostil. Sinto-me ainda mais só e confortado com tudo isso.

Solitário no Jardim

Neste silencio que inunda a alma e tortura o coração não ouço mais sua voz
Partistes sem dizer adeus e levaste meu ultimo sorriso
Queria poder olhar no fundo de teus olhos castanhos e dizer o quanto tenho de saudades
O quanto sinto tua falta
Gostaria de poder te ver uma única e última vez mais para poder dizer adeus
Roubar-te um último sorriso assim como roubaste o meu
No jardim de seus sonhos você sempre colheu as mais belas flores que plantou
Os sons eram sempre de paz e regozijo e talvez por isso não ouvisse o mau agouro do pássaro negro que passou avisando-lhe da partida
Talvez por isso fosses em paz e feliz
É nisso que quero crer para poder sonhar
Para pode seguir sem mais tristezas no coração já triste e medonho
Espinhos tão somente brotam em meu peito
Não há mais cor nas flores, somente as negras brotam ali, as quais regam com lágrimas.
Lágrimas de saudade, de dor.
Tão negro é o céu que cobre nossos pensamentos
Tão negro é o véu que cobre os sentimentos
E hoje tão somente a lua me conforta, (sobre) vivo com as lembranças de teu último afago...
De teu último sorriso
              
Veja a Dor

Veja o sangue que escorre de teus pulsos
As lágrimas que escorrem de teu rosto
Veja as feridas em teu corpo enferme que expele suor febril
Que te faz delirar e que te faz sorrir
Ouça as mentiras ditas por você
Veja o mal que você causou
Sinta o frio deste lugar
A paz tétrica que sempre sonhou encontrar
Não pude fingir
Não pude calar
Em teu leito profano, sinta o mal.
Veja a dor
Imaculada a alma que o demônio possuiu
O abismo só é maior dentro de ti
Viva impondo a ordenação
Descendente do mal que existe
Ressurge do inferno pára sangrar
Seus desejos mais puros pertencem a mim
Profanando as mentes ignorantes que não conhecem o resultado de sua própria existência
Você vive para disseminar o mal que eu criei
Besta cruel de belos olhos negros como o manto que veste
Surge da escuridão em forma de dor, medo e sofrimento.
Acalenta em seus sonhos a paz tétrica que sempre sonhou encontrar
Arde a raiva dentro do peito que implora vingança
Escorre de teus pulsos o sangue e o pus
Tirano infernal mortificado a cruz
Implora o sacrifício de joelhos e só chora suas lágrimas azedas
Em seu leito sombrio e frio
A alma imaculada, estuprada pelo demônio que chora.
Besta maldita de belos olhos negros como o manto que veste
Moribunda oferenda ao altar de fé e luz
Ritos de adoração te invocam e chamam
Besta infernal criada para ferir.
Veja a dor
Sinta o mal surgido dentro de você
Eu sou seu ódio
Invocado do escuro de sua mente doentia e vil
Eu sou seu mal
Sou seu verdadeiro temor
Veja a dor
Sinta o mal
Você agoniza e clama e em desespero eu possuo seu coração puro que sangra e bate e pulsa em minhas mãos imundas...
Implore por ele
Implore por ele...



Prima Noctem Arcturo

Quando o sol se pôs e o primeiro grito se ouviu, linhas tênues se romperam no horizonte infinito de tu alma...
Ritos e festejos, celebrações e regozijos em teu nome.
Prima noctem Arcturo
A aurora de novos tempos urgiu sua fronte e seu verbo será sua espada...

Cinzas ao Sol

Pesadelos constantes invadem meu sono; dilaceram o pouco de razão que ainda há...
Instantes de frustração que duram uma eternidade
Um oceano de desejos reprimidos que me afogam em angústia e dor
Instantes seculares
Flores negras cobrem a terra sobre meu corpo por onde rastejam sentimentos
Arder em chamas...
Cair no vazio...
Navalhas afiadas rasgando a carne...
Gota a gota o suor febril, o sangue rubro te abandonando, segundos eternais, delírios pavorosos, cinzas ao sol...
Andando com meus próprios pés sob a água fria que me fere...
Com meus olhos cegos sigo só em meus pesadelos...
O sol que vaga anula tudo o que sou tudo que sei...
Instantes de frustrações que duram uma eternidade
As flores secam...
As folhas enudecem as árvores no longo inverno
Pesados os olhos por toda a maldade que vejo...
Pesados os ombros por toda a maldade que carrego...
Afogo-me com as calúnias que proferi
A culpa que carrego é meu pesar é o sudário que cobre minhas feridas
Pálidos os corvos dançam em rodas-moinho sobre a carne podre
Minha carne...
Já fui um anjo, mas os erros que cometi!
Pesadelos constantes invadem meu sono
Agora, me deixe, me deixe aqui calado e só, embriagado com meus horrores...


Ethereal

Portões astrais se abrem e o destino se mostra assustado
Ethereal no espaço infinito de um segundo, acuado por guardiões infernais.
Flores e signos circundam as órbitas vicerais de seu corpo...
Segredos guardados
Mentiras dispostas no sangue de suas veias
Arder em chamas
Secular alma perdida no espaço escuro de um dia que se encontra com o temporal que arde no interior de seu ventre
 A floresta se esconde atrás das montanhas como as águas em cavernas escuras
Originais sentimentos que retornam ao abismo
Adverso aos céus
O coração pulsa forte nas mãos impuras do medo que quer amá-lo
O último dia enfim...
No grimório mais antigo os signos de escuridão falam em desespero, de guardiões infernais incrustados na imagem erigida aos céus do sul dos infernos do norte...
Desespero; agonia erguendo as faces ancestrais a quintessência do ser...
A chama que arde em teus olhos fere os meus, guardados na escuridão profunda da dor.
As sendas são escuras e muito pouco se pode enxergar, mas estão lá...
As serpentes regozijam-se ao sol e destilam assim suas verdades, gota a gota um pouco por vez fincando lascas de inveja em quem só quer a verdade.
Originais sentimentos que retornam ao abismo; se perdem no espaço escuro de um dia. Deixe-me tocar-te com um beijo em tua face de porcelana

A Solidão de Teus Olhos

Atávico e nervoso reviro minha fé nos restos de teu amor
No hálito de tua boca e nos ritos de tua beleza recosto minhas faces à espera de um afago, um único e solitário gesto.      
Suplico uma terna afeição, ou até mesmo um olhar caridoso que me acalme os nervos tensos e austeros com os quais golpeio convulsos os desejos úmidos e lascivos de minha carne...
A ignorância que ataca meus sentimentos não permite vasculhar os oratórios de tua alma; as naves que contemplam teus sentidos.
Sentir o aroma dos incensos embebidos no suor de tuas virilhas
Provar a pele tenra e rosa e macia que esconde teus prazeres e teus gozos
Imerso no frio da solidão de teus olhos vago sem norte, guiado pelas mentiras de teu verbo.
No ímpeto de minha cólera vociferei palavras banhadas em lágrimas e fel
Na frieza úmida da noite baixei os olhos para meu ódio perpétuo; ergui-os à você e então erigistes a minha frente em uma tétrica e pálida vertigem de mármore.
Entoei cantos com a virtude e beleza das tempestades que explodem em seu ventre fértil
O corpo entregue as palmas de tuas mãos, sem feridas, sem pus, sem culpas...
Entoei verbos de regozijo a teus sentidos em notas mudas e timbres dissonantes
Ajoelhei-me aos pés de teu altar erigido em prantos e enjeitado pelo egoísmo da tua carne...
Definhei meus desejos a espera de seus encantos que nunca me encontrarão


Por onde andam os segredos que sua alma possui?
Talvez estejam escondidos em um local tão sombrio que você não tenha coragem de descobrir, ou será que você não possui segredos?
 No canto mais escuro da nave mais oculta existem seus... 

sentimentos sombrios...