Aos poucos ela foi surgindo lenta e vagarosamente, e
a cada novo momento foi avolumando-se, como tempestade que cresce e se forma ao
longe e súbito arrebatou o que havia ainda em meio as faces singelas, foi alastrando-se
como erva daninha fazendo suas raízes ainda mais fundo, sem deixar rastros, sem
deixar vestígios, sem deixar lágrimas ou marcas, apenas foi consumindo o que
havia para ser consumido, e deixando para trás um vazio, e somente escassos
pensamentos de lucidez, quase nenhuma simpatia ou lampejos de aleluia.
Ela é voraz e silenciosa. Como mosca faz ferida na
carne e deixa larvas que eclodem aos poucos e a carne devora, pouco a pouco de
dentro para fora, é como ferrugem ou cárie, que corrói lentamente. Como chama
ardente consome e, em seu rastro de glória somente cinzas permanecem. Como
pegadas feitas na areia que o vento ou a maré apagam, é como sonho triste que
insiste em retornar...
Sua expiação carracunda aos poucos pesa as faces e
consome sem pressa as vísceras. É como vinho que com o passar dos invernos
adquire mais vigor...
Ela aos poucos foi chegando e tomando forma, foi
construindo suas ruínas sob os olhos ainda despertos que aos poucos foram se
ofuscando, se fez sob promessas de confiança [mentiras] construídas com fé e
sem suspeitas, no ópium das veredas das verdades...
Ela aos poucos foi surgindo e destruindo tudo no que
se acreditava
Ela aos poucos foi surgindo e destruindo tudo
Ela aos poucos foi surgindo e...
Ela
A culpa