sábado, 24 de setembro de 2011


SÚTIL SACRÁRIO

Olhos rorejados de lágrimas com os quais observo placidamente teu corpo cair...
Na luxuria das dores que teu corpo sente
Na lama que banha teu corpo, na flor que derrama sua beleza impiedosa, manchando assim o inefável quadro de horror que surge diante de mim...
Olhos vazios que conheceram abismos, os mais escuros abismos do amor.
Os mesmos olhos que agora sopesam o cortejo velado que vislumbro da janela antiga, com os vitrais embaciados com o suor frio, do corpo febril que arde em agonia...
Teu corpo que dorme; dorme; dorme e, em sutil sacrário de lama e pedra...

O seu deus vencido, caído nos braços da dor dorme...
Anjos em revoada choram por tanta angustia e dor
Tanto desprezo,
Os olhos perdidos no horizonte sombrio
A culpa que inflama o medo...
A duvida que incita a vingança

Quando os sons e seus ecos se perdem no vazio
E sua voz se calar; a luz no escuro do abismo invadir minha alma, abrirei os olhos e na claridão irei cair...
A escuridão já sombria e lúgubre aumenta insuportavelmente a dor...

terça-feira, 20 de setembro de 2011


m...

As nuvens encobrem as estrelas por onde me guio nesta vasta solidão de azul turquesa, que por vezes se torna tão negra como meus sentimentos que tento esconder...
Sob mil máscaras na forma mais sutil de amar.
Tento suportar a solidão, companheira de tantos outros que dividem o espaço tão mínimo entre mastros e velas e cordas e desejos e dúvidas, conquistas e derrotas...
Há um ponto firme no horizonte q tento imaginar ser seu colo, ser seu ser, imagino poder ter sede para saciar em seus lábios, imagino ter sono para ser embalado em seus braços...
Há tantos outros recantos que quero descobrir, há tantos outros encantos em você...

Ódio

...com todos os ódios da alma excitados invoco a ti...
Rogo-te em súplicas e te peço que afague meus intentos, devore minhas dúvidas e consuma minha dor...
Com golpes fortes e convulsos onde derramo sobre o chão todo pus que  produzo, toda inveja, toda culpa, toda lástima e miséria, todo erro e preconceito...
Assim, só... Acordo trêmulo e assustado, nu em chão de espinhos que me ferem...
Com os punhos erguidos; a alma corrompida...
Gotejando sangue em seu chão, ungindo sua fronte e seu altar, abrindo fendas em suas feridas...
Sendas que guiam todo o meu ódio...
Rompendo os selos de ignorância que aprisionam meus olhos
Olhos cegos na claridão...
A tempestade cresce e se forma ao longe...
O crepúsculo se inicia
O ódio abençoa a dor, perdoa o sofrimento.
As lamúrias aumentam...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Ossuário da Culpa

Sob as espáduas da cólera e do amor
Estendido sob negro mármore descansa
Crivado em tão poderosa lança
Um homem que a loucura cativou
E que o amor de seu corpo se utilizou
Tal féretro fétido com as palmas unidas
Da mais alta potestade de sua ira implora misericórdia
Implora sem canto dor ou lira
Estátua negra de mármore és apenas pó nada mais que isso.
Descansa neste ossuário, este é teu perdão.
Cruzemos os braços e de joelhos curvados, caímos ao chão.
Nada mais há de se fazer...



L’enfer

Os séculos respiram os ares da nova era tudo é tão novo e tudo é tão antigo.
Os velhos e os novos conceitos;
Os velhos e os novos continentes;
Os amores e as guerras.
As coisas são tão piores do que um dia se pode imaginar
As sombras agora ganham vida...
Quando vi gotas de suas lágrimas se transformarem em um vendaval percebi o erro
Nec mortem effugere quisquam nec amorem potest
Quando os olhos só enxergam o que o coração quer ver a alma se entorpece em delírios e esperanças
O que fazer quando um deus perde sua fé?
Quando seu coração imortal se perde nas sendas do amor
Sentimental e insano
Quando removi a túnica que cobria teu corpo vislumbrei a maior de todas as belezas
Nunca lamente por não ter sentido o anjo amar, isso só te traria horror.