quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Um Último Beijo em Teus Lábios Frios

...yet one kiss on your pale clay and those lips once so warm, my beart! My beart!
O anjo quis que eu chorasse
Cai-se de joelhos e implorasse...
Tão lânguidos os olhos que fitavam a chuva pela janela
Tanta expiação que derramava sobre o chão gotas de desespero e de ilusão
Atormentado por pesadelos que banham meu corpo
...eu posso ver as faces em meus sonhos, mas não lembro os seus nomes...
As crianças ainda choram...
Quando li em seus livros e conhecei a beleza de sua língua e toda a sua poesia, desisti dos sonhos dos homens.
Desejei tocar teus lábios então
E velar-te com desejo e perdão
Mas nada mais me foi dito e nunca nada mais pude entender
O abismo é maior do que um dia pude acreditar que seria
É ainda mais escura e profundo que a alma do homem que chora
O anjo quis que eu chorasse...
Caí-se de joelhos e implorasse...
Ainda há nos calabouços escuros e úmidos um último livro que permanece intocado, há tantas sendas em seu caminho.
Há tantos desejos em teus seios e tantos lírios em tuas faces
Oh anjo lívido e nu, veste o sudário da dor.
Perdoa minha fraqueza e cerra-me a tampa do caixão, os ferrolhos ainda são novos e brilham á luz.
Tanta miséria, tanto pudor, tanto frio nesta noite de brumas que cobrem a lájea onde irei repousar.
Oh anjo onde estás?
Deixe-me dar um último beijo de amor em teus lábios frios
Tão pálida a porcelana de tuas faces
Teu corpo já não detém mais chama alguma, nem de amor, esperança ou mesmo de dor.
Não sinto mais em minha esfera teu signo arder

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