quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Teus Olhos...

Em outros tempos teria medo ao olhar no espelho de tua alma
Tão preciosos e celestes que resplandecem todos os teus mais puros desejos; os mais infernais vícios e os mais infernais atos.
Noturna, vaga e estranha, reclusa e frágil carne que pálida se movimenta amontoada sobre ossos tão mal postos que perambulam e vagam e se contorcem em meus sonhos, quem és tu?
Bizarra criatura que me trás vertigens
Ópio do meu sono aguarda ansioso tua chegada tácita e pontual.
Ecoa em minha nave mais bela e mais gótica e sombria e repleta de guardiões do inferno mais profundo de minha alma doente
Teu sopro, teu já fraco e frio sopro que me vem aos ouvidos.
O que tens a dizer?
O que teus espelhos querem revelar?
Em outros tempos teria medo de olhar no espelho de tua alma
Hoje tão pouco só tenho vertigens que me fazem acreditar que isso tudo é real
Abstrata criatura eternal que perfume é este que exala?
Que dor é esta que sinto?
É como se mil sóis ardessem dentro de mim...
Quem és tu que povoa meus sonhos? Que me trás tristezas e alegrias
Que me consola e que faz parte de minha solidão
...atravesso no silêncio escuro a vida, preso a trágicos e fúteis deveres, e chego ao saber de altos saberes, tornando-me mais simples e mais puro...
O último sopro de vida do meu último dia vivido
Ninguém sente minha falta
Tão ouço sabem quem sou
... magoada, oculto e aterrador e secreto, ninguém viu ou ouviu o meu sentimento, o grito inquieto...
Seguirei teus passos
Viajarei em teus braços mesmo sem saber ainda quem és ó criatura que me traz vertigens.


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