segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Sombra da Lua

A febre em teus olhos profundos gelados
A sombra da lua que te tornam os lábios velados
Teu silencio sofrido imenso
Teu sangue lânguido e denso
Que cala atormenta e cria
Sombra de medo na noite triste e fria
Alma que esta morta e não sente
O coração que pulsa forte e quente
Eu desci do céu e toquei tua face pálida e nua
Beijo de amor, de perdão a sombra fria da lua.

I

E cai a noite novamente e a lua nos brinda uma vez mais e no horizonte plúmbeo ela consome a luz, em desespero ouço os ventos me chamarem me sinto só e confortado com isso, me entrego a loucura, as folhas úmidas de orvalho rasgam minha pele, ouço os gritos de minha alma perdida dentro de mim mesmo, sinto o calor de teu abraço aquecer meu corpo nu entregue a solidão até o infinito. Meu sangue rubro tinge o dorso esguio teu, seu rosto desnudo dos véus revela sua ira, pálida e tétrica repleta de sofrimento, fértil em langores tens as feridas ainda abertas, ainda sangram, ainda que firam com ódio e temor fenecem por si só em seu peito, onde guardas dentro de ti um amor rancoroso que te faz feridas neste corpo ainda leproso, e a morte luz dos moribundos brindam minha alma nua sem fé, fria, frágil; hostil. Sinto-me ainda mais só e confortado com tudo isso.

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